História do Laboratório

O Laboratório de Ensino de Atividades Lúdicas (LABLUD), mais conhecido como laboratório de ludicidade, foi criado no ano de 2010, para atender a uma demanda do curso Licenciatura Integrada em Educação em Ciências, Matemática e Linguagens, do Instituto de Educação Matemática e Científica (UFPA), sob a Coordenação da Profª Drª Ana Cristina Pimentel Carneiro de Almeida (IEMCI/PPGECM/PPGDOC/GECTSA/UFPA). A referida Licenciatura é diferenciada, pois ela é constituída por eixos, que por sua vez, geram temas (disciplinas) a serem trabalhados de forma interdisciplinar nas atividades integradoras e o LABLUD por meio de práticas lúdicas, em diferentes contextos, ao longo de seus 16 anos sob esta coordenação, vem desenvolvendo ações nesta concepção. 
O LABLUD comportou o Grupo de Estudos de Ludicidade (GELUD), com encontros toda terça-feira, das 9 às 12 horas, durante vários anos. No GELUD, alunos da Licenciatura Integrada interagiam com alunos da pós-graduação do IEMCI, estudando textos e discutindo experiências vivenciadas em sala de aula, ampliando a rede de conhecimentos e de relações. No decorrer dos anos, além de oficinas e minicursos, dentre as ações desenvolvidas no Laboratório, constam aulas com atividades lúdicas em seu espaço e atendimento individualizado para atendimento de temas, como: práticas antecipadas à docência, estágios supervisionados, entre outros, oferecendo suporte e materiais para a elaboração de aulas práticas dos alunos, gerando capítulos de livro, artigos em periódicos e Trabalhos de Conclusão de Curso. Atendeu também, ao longo destes anos, ao desenvolvimento de Dissertações e Teses com articulação entre a ludicidade e o ensino de Ciências, nos programas de pós-graduação PPGECM e PPGDOC. Neste último, é ofertada a disciplina optativa “Ludicidade no Ensino de Ciências e Matemática”, no mestrado profissional (PPGDOC), ministrada pela Profa. Dra. Ana Cristina Almeida, até então.
Nesta perspectiva, a articulação com diferentes projetos, como por exemplo, o Clube de Ciências da UFPA, com ações do LUDLAB no Ciência na Ilha e cessão do espaço do laboratório para desenvolvimento de atividades com as crianças do clube. Outros projetos foram desenvolvidos, em que as atividades curriculares da Licenciatura e do LABLUD, por propiciar interlocuções formativas em diferentes áreas do conhecimento, permitiam aos estudantes, ampliar as vivências em situações de planejamento, execução e avaliação de atividades lúdicas, no atendimento de uma proposta de ensino integrada a diferentes contextos de ensino. Por meio da ludicidade, os estudantes têm oportunidade de construir jogos, brincadeiras, confeccionar brinquedos e materiais didáticos lúdicos diversos, além de explorar espaços e ambientes que incluem rodas de conversa, dramatizações, músicas, dança, contação de histórias, mediação de leituras, entre outras atividades, principalmente no campo das ciências, matemática e linguagens

A partir de 2017, a parceria com projetos e programas coordenados pela Profª Drª Isabel Cristina França dos Santos e pela Profª Drª Elizabeth Gomes Souza, incrementou a criação de práticas diferenciadas, ao estimular a criatividade e a troca de experiências lúdicas de ensino, fortalecendo ações por meio de múltiplas linguagens. Nos Anos Iniciais e na EJA, a Ludicidade oferece a oportunidade de abordagens diferenciadas no processo formativo, sendo uma coadjuvante importante no processo de ensino e de aprendizagem, possibilitando ao graduando em formação inicial a vivenciar ações que ampliem seu repertório de experiências socioculturais, articuladas ao conhecimento científico, no processo de alfabetização científica, matemática e em língua portuguesa. 
Esta parceria foi fortalecida e teve aprovado o projeto PGRAD/LABINFRA 2020 (2020-2024), projeto de ampliação e de infraestrutura do Laboratório de Ensino de Atividades Lúdicas. É desafiador um trabalho voltado a uma proposta interdisciplinar, considerando que o sistema nacional de ensino é voltado ao trabalho disciplinar. Some-se a isso, a aquisição de materiais e equipamentos é outro desafio para a instituição, sendo esta viabilizada por meio de editais de projetos e programas anualmente. As interações deixaram os graduandos mais seguros e autônomos à criação e ao desenvolvimento de atividades pedagógicas lúdicas, em espaços formais e não formais de ensino. Foram ainda mais estimulados, a ministrar oficinas, minicursos, escrever capítulos de livros e artigos para eventos científicos e periódicos, fortalecendo a divulgação das experiências com as ações integradas e a troca de conhecimentos. 
As potencialidades observadas no desenvolvimento de projetos e programas da UFPA, articuladas em diferentes espaços e ambientes, como eventos, grupos de estudo e utilização de laboratórios de ensino, contribuem para um processo formativo crítico e transformador. Esse processo visa à formação de um docente sintonizado com as questões sociais, culturais, econômicas e políticas nas demandas que envolvem os espaços educativos contemporâneos, promovendo o respeito à diversidade e uma formação cidadã. Isso se torna possível ao proporcionar momentos de troca de saberes e experiências, do incentivo à pesquisa como processo de enfrentamento aos desafios diários de uma sala de aula e do desenvolvimento de um trabalho inter/transdisciplinar, fomentado pelos projetos, programas e Estágios. 


Uma das ações desenvolvidas tem sido o planejamento integrado, que envolve formadores de diferentes áreas (Linguagem, Matemática, Ciências, entre outras) que integram as equipes que costumam utilizar o laboratório. O Planejamento Integrado busca coordenar e alinhar todas as atividades, recursos e objetivos de maneira articulada, potencializando as diferentes áreas e realidades dos contextos (escolas da região metropolitana de Belém e das comunidades ribeirinho quilombolas, Movimento República de Emaús, bibliotecas comunitárias, etc.). Desse modo, as atividades dos projetos e programas são planejadas de maneira que se complementam. Por isso, a necessidade de termos espaços diversos, como é o caso do LABLUD. Acompanhar e orientar os estudos e planejamentos de ensino de um grupo de licenciandos que estavam lotados nos contextos de atuação parceiros dos projetos e programas, além de ministrar formações para esses públicos, em especial, os licenciandos, pós-graduandos e docentes da Educação Básica levando em conta também as crianças e jovens com deficiências. Tais encaminhamentos acabam criando um espaço favorável ao envolvimento acadêmico necessário, também à orientação e elaboração de artigos, capítulos e relatórios de maneira mais coletiva, engajada e propositiva. Além de articular ensino, extensão e pesquisa que constituem o tripé defendido pela universidade. 
Os pós-graduandos também reconhecem as potencialidades dos laboratórios em prol do ensino, da pesquisa e da extensão. Isso tem criado espaço para o trabalho com o Letramento acadêmico (elaboração de textos específicos do universo acadêmico e inspirando temas de pesquisas para dissertações, TCCs, monografias de especialização e teses) que também surgem desses encontros de parcerias com o LABLUD. Ao levarmos em consideração que as ações nos lançam aos desafios de estudos, reuniões, encontros e eventos que convergem nas temáticas tratadas. O “Ateliê de oralidade, leitura e escrita” que atendia graduandos dos diferentes cursos da UFPA, às sextas (manhã, tarde e noite) e sábados (manhã), desde o início da parceria com o LABLUD, em 2017, é um exemplo disso. A equipe de mediadores é formada por mestrandos, doutorandos e egressos do PROFLETRAS (UFPA) ou do PPGL (UFPA), assim como por licenciandos do curso de Letras que selecionam os gêneros discursivos mais mobilizados na UFPA a partir de chamada pelo site da UFPA (ASCOM), via formulário de inscrição. Os encontros acontecem de modo coletivo e individual, uma vez por mês de modo presencial. Nas outras semanas, o acompanhamento é realizado pelo grupo do Whatsapp. Os textos são revisados, articulados a novos desafios de escrita e os autores os enviam à equipe, que aciona o próximo gênero discursivo (oral ou escrito) a ser trabalhado.
Em abril de 2026, a Profª Drª Ana Cristina Pimentel Carneiro de Almeida se aposentou e indicou a Profª Drª Isabel Cristina França dos Santos para assumir a coordenação do laboratório em função da parceria nas ações e utilização do espaço, desde 2017. A partir do aceite e nos diálogos com os docentes do Eixo da Linguagem, a referida professora propôs que também os colegas das outras áreas do conhecimento e já parceiros nos projetos e nas ações relacionadas aos temas ministrados ao longo dos semestres também integrassem a equipe, ampliando as discussões sem desconsiderar a ludicidade que assumiu função estratégica nas articulações. Dessa maneira, o laboratório passaria a respaldar parcerias que já vinham ocorrendo nos diferentes eixos, como foram as ações de parceria articulada com os projetos de pesquisa da Profª Drª Emília Pimenta e da Profª Drª Elizabeth Manfredo, como foi o caso dos “Diálogos com professores” tendo como participação vários docentes do instituto e da Educação Básica. Outro exemplo de parceria foi o trabalho da Profª Drª Elizabeth com a Profª Drª Isabel França e Profª Drª Valdete Leal nas ações dos projetos de extensão e de pesquisa das referidas docentes. E, mais recentemente, das articulações dos temas ministrados e projetos de pesquisa da Profª Drª Lorena Trescastro e da Profª Drª Elizabeth Manfredo, como parte das ações do Projeto de Pesquisa: “Práticas de mediação de leitura, literatura e etnicidade nos anos iniciais do ensino fundamental”, no período letivo de 29 de abril a 16 de setembro de 2025, foram realizadas pesquisas teóricas e práticas nos temas: Abordagens Curriculares para a Educação em Ciências, Matemática e Linguagens III, da Profa. Dra. Elizabeth Cardoso Gerhardt Manfredo, e Estudos teórico-práticos da alfabetização em língua materna I, Profa. Dra. Lorena Bischoff Trescastro, na Licenciatura Integrada em Ciências, Matemática e Linguagens, e programadas Oficinas: Relações étnico-raciais, leituras e interdisciplinaridade nos anos iniciais do ensino fundamental e EJAI, ministradas pelos acadêmicos da Turma 2024 -Tarde. 
As oficinas, realizadas no dia 04 de setembro de 2025, das 13h às 20h, no Auditório do IEMCI, contemplaram as seguintes temáticas étnico-raciais, ligadas às culturas afro-brasileiras e indígenas, sendo intituladas: (1) Confecção da boneca Abayomi: tecendo laço de afeto e resistência; (2) Brincadeiras africanas; (3) A história da cocada do Brasil; (4) Chocalho, mistura que ecoa sons da nossa origem; (5) Pintura corporal indígena: expressão, identidade e resistência. A cada oficina com fundamentos teóricos e práticos, ligados à pesquisa, foram feitos debates sobre a temática apresentadas e discutidas possibilidades de aplicação da proposta no currículo escolar nos anos iniciais e EJAI. As debatedoras foram: Profa. Dra. Cilene Maria Valente da Silva (SEDUC-PA); Profa. MSc. Simone de Jesus da Fonseca Loureiro (SEMEC - Belém); Profa. MSc. Vania Maria Batista Sarmanho (SEDUC - PA). As Profa. Dra. Elizabeth Manfredo e Profa. Dra. Lorena Bischoff Trescastro foram as coordenadoras do evento e a acadêmica Joyce Cristina Miranda dos Santos foi responsável pela secretaria do evento. O público atendido foi Licenciandos e professores dos anos iniciais e EJAI.
Em função das ações desenvolvidas de modo articulado/integrado há bastante tempo por diferentes docentes acima apresentados e tendo mais recentemente a possibilidade de ocuparmos o mesmo espaço enquanto equipe interdisciplinar, mas tendo a Linguagem como o viés das discussões, houve a necessidade de ampliarmos o nome do laboratório. A opção pelo viés da linguagem se justifica pelo fato de existirem no instituto laboratórios de Ciências, de Matemática, de Multimídia, de Tecnologias digitais, de Neurociências tratando de aspectos específicos de suas áreas e articulando interdisciplinarmente. Entretanto, não tínhamos ainda um laboratório para tratar das tantas especificidades do campo da linguagem, sem desconsiderar as necessidades do trabalho interdisciplinar que atravessam o nosso curso. 
A partir de tais discussões que perpassam inclusive pela avaliação do curso e por perceber a inexistência de um laboratório de Humanidades, o espaço onde era trabalhada a ludicidade acolhe, amplia e passa a visibilizar mais e melhor as ações integradas que já são desenvolvidas há bastante tempo (no referido laboratório e para além dele). Assim, a atual equipe reuniu, discutiu as possibilidades de nomes e decidiu que pelo nome “Laboratório de Linguagem, ludicidade e humanidades” (LABLLUH). A proposta foi aprovada pela Congregação do instituto no dia 8 de maio de 2026.